quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Olá Amigos:

Depois de mais um longo tempo em que o sistema não me deixava postar, volto a partilhar as palavras que me saem. Saudações poéticas a todos.


O TEMPO DO NÃO TEMPO

O tempo já não se arrasta,
Pasta.
As horas já não voam,
Morrem.
Os minutos já não se contam
Eternizam-se.

Um outro tempo que não anda
Nem para a frente nem para trás
Que não estaciona nem desanda
É o não tempo que agora jaz

E o tempo do não tempo
É uma inteira ausência de alimento
Quanto mais se observa o rosto
Mais difícil se lhe toma o gosto

O tempo já não caminha,
Graminha.
O mundo já não é composto,
É rei posto
O futuro já não é um lugar seguro,
É um muro.
E o meu desenho, que a tempo deixei no teu rosto
Está morto.

E se pensas que em algum lugar
Haverá um túnel ou uma ponte aérea
Para te levar de volta ao tempo certo
Era preferível que te ausentasses enquanto isto durar

O tempo já não se arrasta,
Apaga-se
As horas já não dançam
Cansam
Os minutos já não pulsam,
Perduram.
Todos eles, num não tempo, sonegam
O que nos negam.

Quando vai chegar o momento
Em que pintarei no teu rosto
O gosto do meu gosto
E em nossas almas, o sabor do novo tempo?

(João Firmino, 12 de Setembro de 2007)